Os sinistros aumentos dos planos de saúde

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Lamentavelmente a ANS não define regras ou teto de reajuste para os planos de saúde coletivos no Brasil, que estão sendo reajustados, pasmem, em até 80% para determinados grupos.

Mais uma vez observa-se que os reajustes dos planos de saúde coletivos, aplicados em 2017, estão em geral absurdamente acima de qualquer parâmetro razoável, seja do teto que a Agência Nacional de Saúde (ANS) estipulou para os planos individuais (13,57%) ou da inflação acumulada anual.

Lamentavelmente, a ANS não define regras ou teto de reajuste para os planos de saúde coletivos que estão sendo reajustados, pasmem, em até 80% para determinados grupos de profissionais liberais a partir de julho deste ano. Nos últimos anos essa tem sido uma prática que levou milhares de pessoas a deixarem de ter um plano de saúde, migrando para o combalido Sistema Único de Saúde (SUS).

Os reajustes dos planos coletivos no Brasil têm sido muito superiores à inflação aferida nos últimos anos. As operadoras dizem que a ‘inflação médica’ leva em conta o índice de sinistralidade que se eleva em função dos investimentos em novas tecnologias e dos custos de exames e internações. O cenário se apresenta extremamente preocupante e o governo brasileiro não sinaliza com nenhuma solução que possa tranquilizar os orçamentos das famílias brasileiras que buscam proteção nessa modalidade de assistência médico-hospitalar privada.

A incoerência e a desfaçatez é que mesmo encolhendo as suas carteiras de clientes, os planos de saúde, conforme noticiado pelo Globo em 2 de julho, aumentaram os seus lucros em até 40%! Pobre país que permite esse tipo de situação, onde os resultados da planilha financeira falam exponencialmente mais alto do que qualquer outro indicador eticamente calibrado em um ambiente de sustentabilidade e responsabilidade social.

A inação dos órgãos oficiais permite esse tipo de conflito onde quem sempre sai perdendo é o cidadão brasileiro, especialmente os assalariados e aposentados que têm recursos financeiros finitos. A falta de regulação torna “justificável” qualquer tipo de aumento, sob o pretexto da sinistralidade e das tecnologias incorporadas. Os usuários, os mais fragilizados de todos os interessados, não têm como medir essas variações de preços, ficando assim sujeitos ao impacto daquilo que não controlam. Somente com o fim da escalada dos custos dos planos de saúde é que muitos profissionais liberais poderão continuar oferecendo alguma segurança às suas famílias.

Pugnamos, junto à ANS e a outros órgãos do governo federal, que essa situação seja objeto de estudos e revisões urgentes, quem sabe com a oferta de novos modelos de gestão e de prestação de serviços médicos privados à sociedade brasileira.

Adm. Wagner Siqueira é o atual presidente do Conselho Federal de Administração (CFA)

Sobre Wagner Siqueira

Adm. Wagner Siqueira
É filho de Belmiro Siqueira (Patrono dos Administradores no Brasil) e durante os últimos 6 anos (2011-2016) foi presidente do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro (CRA-RJ), onde empreendeu uma firme e ampla luta em defesa do mercado de trabalho dos Administradores e dos Tecnólogos de Gestão. Seus posicionamentos no campo político-institucional, sempre independentes, lhe garantem a liderança da profissão em todo o Brasil. É o Diretor-Geral da Universidade Corporativa do Administrador (UCAdm), braço educacional do CRA-RJ. Eleito Conselheiro Federal pelo estado do Rio de Janeiro para o biênio 2017-2018.
É membro da Academia Brasileira de Ciências da Administração (ABCA) e vice-presidente da Escolinha de Artes do Brasil, entidade que realiza importantes obras em prol da cultura de jovens e adolescentes. Também é membro efetivo da Assembleia do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam).
É autor de mais de dez livros sobre Administração e de quatro outros sobre política e ação legislativa. Seu livro ‘As Organizações são Morais?’ foi recentemente lançado pela Editora Qualitymark (2014). É autor de centenas de artigos de opinião publicados em mídias nacionais de grande circulação e articulista do Portal Administradores.com.
É palestrante internacional e detentor do prêmio Personalidade Educacional concedido pela Folha Dirigida em 2013.
Foi presidente do Sindicato dos Administradores no Estado do Rio de Janeiro (Sinaerj) e da Federação Nacional dos Administradores (Fenae). E vice-presidente da CNPL – Confederação Nacional das Profissões Liberais.
Como Vereador da cidade do Rio de Janeiro e Deputado Estadual representou e defendeu os interesses coletivos, em especial, dos Administradores e dos funcionários públicos ativos e inativos.
Foi Secretário de Modernização Administrativa do Ministério do Planejamento; Diretor de Administração da EMBRATUR; Gerente de Administração e de Planejamento do BD Rio – Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro; Presidente do IPERJ – Instituto de Previdência do Estado do RJ (atual Rioprevidência); presidente da FESP – Fundação Escola de Serviço Público; membro do Conselho Estadual de Educação; Secretário de Administração e Secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio de Janeiro; Presidente do Riocentro; e Presidente do IPLAN-Rio – Instituto Municipal de Planejamento da cidade do Rio de Janeiro.

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